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Quando o clima é de fofoca

Eu fofoco, tu fofocas, ele/a fofoca. Nós fofocamos. Por quê?


Faz parte da humanidade, é inerente os grupos humanos e está presente em 100% dos Condomínios. A fofoca vai de nuances de aproximação e integração entre às pessoas até o limite de alianças perversas, injúrias, calúnias e difamações. Da “fofoquinha” à “fofocaiada” (que palavra horrorosa!!!) Levando à consequências extremamente danosas para as relações, o clima e uma boa gestão.


Entendendo um pouco da Psicologia da Fofoca:

Se considerarmos que “fofoca” é quando duas ou mais pessoas se referem a uma terceira que não está presente, podemos considerar que todos nós fofocamos. O que diferencia é o tom, o julgamento, o tema e tudo que colocamos nesta conversa.

Pode ir de um simples comentário: “Ana e João se separaram, vi o dia que ele saiu de casa com a mala.” Poderia ficar por aí, mas... Aí vem junto todos os seus pareceres sobre a relação dos dois, suas previsões do que vai acontecer e até o que você faria nesta situação e o fofoqueiro da era digital ainda completa: “ela já mudou até o status no face”.

Passando por um comentário mais maldoso e difamatório: “Marília trocou de carro. Não paga o condomínio, mas para trocar de carro tem dinheiro.”

Podendo chegar a uma calúnia (se o fato for uma suposição pessoal e falsa): “’Este’ síndico está recebendo propina dos fornecedores.”

Cada um destes exemplos tem suas diferentes consequências.

Sabe aquele ditado: “Quando Maria fala de Ana, sei mais sobre Maria do que de Ana”? Pura verdade, porque quando falamos de alguém estamos colocando nossas percepções, nossa “lente”, nossas frustrações, nossa inveja, nossos receios, nossa projeção, nossa baixa autoestima.

A fofoca libera endorfinas, nos dá a sensação de superioridade, faz nos sentir sempre melhor em relação ao alvo da fofoca, elevando a autoestima do fofoqueiro. O problema surge quando o fofoqueiro é crônico, tornando-se esta a única fonte de prazer do indivíduo. Ele precisa falar, julgar e desqualificar para então se sentir melhor.

Outro fato que nos faz bem ao utilizarmos o recurso da fofoca é que quando estamos falando de alguém, não precisamos entrar em contato com nossa vida, é mais fácil falar do outro, do que olhar para nossos defeitos, dificuldades e problemas. Pessoas reconhecidamente como fofoqueiras precisam encontrar prazer em outras fontes.


E quando o problema se instala no Condomínio

Num condomínio vivemos muito próximos, muitas vezes mais próximos do que gostaríamos. Compartilhamos espaços, decisões e despesas e ainda vemos, ouvimos, supomos muitas coisas. Muitos precisam de aliados e utilizam os recursos que têm para tal (lembrem... a fofoca cria laços e alianças). Quando a fofoca generaliza no condomínio torna-se um grande problema para as relações, gerando conflitos, afetando, inclusive, a qualidade de vida das pessoas, necessitando de intervenção para a melhoria do clima e dos conflitos (é possível reverter a situação). Uma triste constatação: pessoas chegam a mudar de residência pelo clima instalado em um condomínio.


O que o Síndico pode fazer?

  • Ser transparente sempre! Nas relações com os condôminos e com as finanças.

  • Invista na boa comunicação

  • Invista em atividades que integrem moradores

  • Não alimente fofocas

  • Seja imparcial

  • Tenha uma atitude assertiva (não ser passivo e nem agressivo), mediadora e conciliatória.

Quando o alvo for o Síndico, cabe ser assertivo, ter a consciência tranquila, estar disponível e buscar esclarecer os fatos e, se persistir a fofoca chegando a prejudicar a imagem, a honra e moral do síndico, cabe entrar com um processo de injúria, difamação ou calúnia e pedir retratação. Alguns fofoqueiros, infelizmente, se não tratados, só se acalmam assim.


Ariane Padilha

Publicado na edição de Fevereiro/2018 no Jornal Click Síndico